sexta-feira, 5 de março de 2021

Intertextualidade

 Intertextualidade é o nome dado à criação de um texto a partir de outro já existente. Esse recurso pode ser utilizado com o objetivo de criticar, de provocar humor ou simplesmente de homenagear o autor original.

                A intertextualidade pode ser explícita, quando é a referência é facilmente identificada pelo leitor, não exigindo conhecimento prévio do conteúdo original, ou implícita. Nesse último caso, há uma referência indireta ao texto base, sendo mais difícil sua identificação, o que exige do leitor uma maior atenção em sua análise.

                O diálogo entre textos não precisa, necessariamente, ser entre gêneros iguais. Ele pode ser realizado através de linguagem verbal e não-verbal, podendo se manifestar em forma de pintura, cartum, charge, poema, publicidade, livro, novela, filme, etc.

                 

EXERCÍCIOS

               

Leia o conto abaixo e responda às questões a seguir.

 Bela Adormecida cai em sono profundo após conversar meia hora com homem em balada

 

Contrariando a velha pergunta “onde estão os príncipes hoje em dia?”, uma porção deles marcou presença em festa de celebridades que ocorreu ontem, na Zona Sul de São Paulo.

Só que todo este charme não surtiu efeito, de acordo com uma foto que circula nas redes sociais. A imagem mostra que Bela, a Adormecida, resistiu aos encantos do príncipe, que parecia estar mais interessado em falar de si mesmo do que qualquer coisa. Ao invés de cair nos braços do rapaz, a princesa caiu nos braços do sofá. “Se o papo já me fez dormir, imagina o casamento”.

Branca de Neve, outra que marcou presença na festa, comentou a situação e defendeu a amiga. “Qual é? Alguém pode atualizar estes caras no quesito cantadas encantadas?”, disse a jovem, que entrou e saiu da festa sozinha, mas garante que se divertiu. “Não comi maçã de bruxa nenhuma, mas conversar com esses caras me deu um sono…”

Enquanto Bela curtiu a noite sonhando com alguém que não perguntasse ‘como vai a princesinha?’, Cinderela, com o sapato na mão, foi embora mais cedo, garantindo que príncipe nenhum usasse a velha desculpa do sapatinho de cristal.

https://catracalivre.com.br/entretenimento/contos-de-fadas-modernos-ganham-versoes-comicas-na-internet/

 

 01.   O texto acima estabelece intertextualidade com outros textos. Identifique-os.

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 02.   A intertextualidade é produzida de forma explícita ou implícita? Justifique sua resposta.

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 03.   Embora o texto faça referência a contos infantis, ele possui características de outro gênero textual. Identifique-o.

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 04.   Explicite as características que contribuíram para a identificação do gênero textual na questão anterior.

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 05.   No texto, a expressão “cair nos braços” assume dois sentidos. Explique-os.

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  GABARITO

 01.   No texto, há referência aos contos infantis da Branca de Neve, da Bela Adormecida e da Cinderela.

 02.   A intertextualidade é produzida de forma explícita, pois são mencionados, diretamente, os nomes das personagens principais dos contos a que faz referência.

 03.   O texto se assemelha ao gênero textual notícia ou reportagem.

 04.   Essa identificação é possível através da estrutura do texto e da narração de fatos em 3ª pessoa.

 05.   Nos contos de fadas, “cair nos braços” significa se apaixonar pelo príncipe. No texto, “cair nos braços do sofá” recebe o significado de ter sono excessivo, de dormir.


HABILIDADES BNCC

(EF69LP43) Identificar e utilizar os modos de introdução de outras vozes no texto – citação literal e sua formatação e paráfrase –, as pistas linguísticas responsáveis por introduzir no texto a posição do autor e dos outros autores citados (“Segundo X; De acordo com Y; De minha/nossa parte, penso/amos que”...) e os elementos de normatização (tais como as regras de inclusão e formatação de citações e paráfrases, de organização de referências bibliográficas) em textos científicos, desenvolvendo reflexão sobre o modo como a intertextualidade e a retextualização ocorrem nesses textos.

(EF89LP32) Analisar os efeitos de sentido decorrentes do uso de mecanismos de intertextualidade (referências, alusões, retomadas) entre os textos literários, entre esses textos literários e outras manifestações artísticas (cinema, teatro, artes visuais e midiáticas, música), quanto aos temas, personagens, estilos, autores etc., e entre o texto original e paródias, paráfrases, pastiches, trailer honesto, vídeos-minuto, vidding, dentre outros.

(EM13LP03) Analisar relações de intertextualidade e interdiscursividade que permitam a explicitação de relações dialógicas, a identificação de posicionamentos ou de perspectivas, a compreensão de paráfrases, paródias e estilizações, entre outras possibilidades.

(EM13LP04) Estabelecer relações de interdiscursividade e intertextualidade para explicitar, sustentar e conferir consistência a posicionamentos e para construir e corroborar explicações e relatos, fazendo uso de citações e paráfrases devidamente marcadas.



quinta-feira, 4 de março de 2021

Criando um conto

 O QUE É UM CONTO?

O conto é uma narrativa ficcional curta escrita em prosa com personagens que realizam ações em um determinado tempo e lugar. Como é uma narrativa, há, nesse gênero textual, a presença de um narrador, aquele que conta a história.

Os personagens são os agentes na história, os que praticam as ações e a partir dos quais a narrativa é desenvolvida.

O enredo é o nome dado à sequência de fatos narrados na história. No enredo, é desenvolvido o tema central do conto.

Todas as ações dos personagens, assim como o enredo, são organizadas em uma linha temporal e ocorrem em um lugar específico, determinado e descrito pelo narrador.

 

 CRIANDO UM CONTO

O tema da discriminação racial e social tem circulado na mídia atualmente devido a notícias de violência contra um grupo específico de pessoas, especialmente moradores negros de periferias.

                É possível encontrarmos inúmeros contos com personagens negros que sofrem esse tipo de discriminação e, apesar de o conto ser uma obra de ficção, sabemos o quanto eles retratam a nossa realidade.

                Infelizmente, a discriminação racial e social pode estar presente dentro de nossa própria família ou em nosso grupo de amigos. Diante dessa triste realidade, você deverá fazer com que as histórias de pessoas que já sofreram discriminação por sua cor ou condição social venham à tona através da escrita de contos.

                Escreva um texto, entre 30 e 40 linhas, transformando essas pessoas em personagens de seu conto. Se quiser, pode fazer entrevistas com pessoas que você conheça para enriquecer seu conto. Mas tudo on-line, ok? Assim, continuaremos nos cuidando contra o Corona vírus.

 Boa escrita!






HABILIDADES BNCC

(EI03EF05) Recontar histórias ouvidas para produção de reconto escrito, tendo o professor como escriba.

(EI01EF08) Participar de situações de escuta de textos em diferentes gêneros textuais (poemas, fábulas, contos, receitas, quadrinhos, anúncios etc.).

(EF15LP16) Ler e compreender, em colaboração com os colegas e com a ajuda do professor e, mais tarde, de maneira autônoma, textos narrativos de maior porte como contos (populares, de fadas, acumulativos, de assombração etc.) e crônicas.

(EF67LP28) Ler, de forma autônoma, e compreender – selecionando procedimentos e estratégias de leitura adequados a diferentes objetivos e levando em conta características dos gêneros e suportes –, romances infantojuvenis, contos populares, contos de terror, lendas brasileiras, indígenas e africanas, narrativas de aventuras, narrativas de enigma, mitos, crônicas, autobiografias, histórias em quadrinhos, mangás, poemas de forma livre e fixa (como sonetos e cordéis), vídeo-poemas, poemas visuais, dentre outros, expressando avaliação sobre o texto lido e estabelecendo preferências por gêneros, temas, autores.

(EF67LP30) Criar narrativas ficcionais, tais como contos populares, contos de suspense, mistério, terror, humor, narrativas de enigma, crônicas, histórias em quadrinhos, dentre outros, que utilizem cenários e personagens realistas ou de fantasia, observando os elementos da estrutura narrativa próprios ao gênero pretendido, tais como enredo, personagens, tempo, espaço e narrador, utilizando tempos verbais adequados à narração de fatos passados, empregando conhecimentos sobre diferentes modos de se iniciar uma história e de inserir os discursos direto e indireto.

(EF89LP33) Ler, de forma autônoma, e compreender – selecionando procedimentos e estratégias de leitura adequados a diferentes objetivos e levando em conta características dos gêneros e suportes – romances, contos contemporâneos, minicontos, fábulas contemporâneas, romances juvenis, biografias romanceadas, novelas, crônicas visuais, narrativas de ficção científica, narrativas de suspense, poemas de forma livre e fixa (como haicai), poema concreto, ciberpoema, dentre outros, expressando avaliação sobre o texto lido e estabelecendo preferências por gêneros, temas, autores.

(EF89LP35) Criar contos ou crônicas (em especial, líricas), crônicas visuais, minicontos, narrativas de aventura e de ficção científica, dentre outros, com temáticas próprias ao gênero, usando os conhecimentos sobre os constituintes estruturais e recursos expressivos típicos dos gêneros narrativos pretendidos, e, no caso de produção em grupo, ferramentas de escrita colaborativa.



domingo, 14 de fevereiro de 2021

Análise e reescrita de marchinhas de Carnaval

 Marchinhas politicamente incorretas estão na mira dos blocos do Rio

Frederico Goulart


Entre as canções censuradas estão hinos como "O teu cabelo não nega", "Cabeleira do Zezé" e "Maria Sapatão". A polêmica divide opiniões: há quem defenda o caráter democrático da festa, já os críticos, dizem que as músicas ofensivas não devem fazer parte de uma manifestação popular.Parte inferior do formulário

Foi das mãos do compositor Lamartine Babo que, em 1932, nasceu um dos hinos do carnaval brasileiro. Hoje, 84 depois, "O teu cabelo não nega", encontra-se no centro de uma polêmica que agita o carnaval de Rua do Rio: afinal, qual deve ser o espaço das letras politicamente incorretas na festa? Há quem defenda uma lista de canções proibidas, na qual também estariam marchinhas como "Cabeleira do Zezé" e "Maria Sapatão". 

Algumas dessas músicas já estão fora do repertório do Bloco Mulheres Rodadas - que surgiu do movimento feminista. Uma das componentes do grupo, Renata Rodrigues diz que o corte de determinadas letras acontece após discussões internas. Ela defende que letras ofensivas não devem ter espaço em uma manifestação popular.

 O veto às marchinhas de letras polêmicas está longe de ser um consenso, até mesmo entre os componentes de cada bloco. No Céu na Terra, tradicional grupo carnavalesco do Rio, a decisão de retirar "O teu cabelo não nega" do repertório não agradou a todos, como explica o diretor Péricles Monteiro.  

Na visão de Rodrigo Rezende, presidente da Liga Carnavalesca Amigos do Zé Pereira - organização que reúne alguns dos principais blocos da cidade -, a discussão é importante. Mas não se pode perder de vista o caráter democrático da festa.

Ricardo Cravo Albin, pesquisador e crítico musical, não mede as palavras para criticar a censura. Para ele, cada momento tem seu tempo, e é uma tolice a desconstrução do que foi consolidado no passado e na alma popular.  Ele defende que temas como a mulher, a cor da pele e a homossexualidade sempre foram cantados durante o carnaval. Apagar isso seria negar a própria história da festa.

 Disponível em: http://cbn.globoradio.globo.com/editorias/cultura/2017/01/24.htm

 

 Essa discussão não se restringe às marchinhas. Veja a seguinte versão da cantiga popular “Atirei o pau no gato”:

 

Atirei o Pau no Gato

Atirei o pau no gato tô tô
Mas o gato tô tô
Não morreu reu reu
Dona Chica cá
Admirou-se se
Do berro, do berro que o gato deu:
Miau!

 

Não Atire o Pau No Gato

Não atire o pau no gato (to-to)
Porque isso (Isso-Isso)
Não se faz (faz-faz)
O gatinho (nho-nho)
É nosso amigo (go-go)
Não devemos maltratar
Os Animais
Miau!


Explique por que essa cantiga foi considerada politicamente incorreta, tal como as marchinhas sinalizadas no texto de Frederico Goulart.

·         Identifique as estratégias linguísticas utilizadas na música “Não atire o pau no gato” para que a letra original deixe de ser politicamente incorreta.


Analisando e reinventando marchinhas

 Abaixo, há exemplos de marchinhas que já foram retiradas de alguns blocos de carnaval do Rio de Janeiro. Analise-as e procure entender o porquê de terem sido proibidas. Em seguida, crie uma versão das mesmas, possibilitando sua permanência em todos os blocos carnavalescos.

 01.   Cabeleira do Zezé

Olha a cabeleira do Zezé
Será que ele é?
Será que ele é?

Olha a cabeleira do Zezé
Será que ele é?
Será que ele é?

Será que ele é bossa nova?
Será que ele é Maomé?
Parece que é transviado
Mas isso eu não sei se ele é

Corta o cabelo dele!
Corta o cabelo dele!
Corta o cabelo dele!
Corta o cabelo dele!

 

02.        Maria Sapatão

Maria Sapatão
Sapatão, Sapatão
De dia é Maria
De noite é João

Maria Sapatão
Sapatão, Sapatão
De dia é Maria
De noite é João

O sapatão está na moda
O mundo aplaudiu
É um barato, é um sucesso
Dentro e fora do Brasil

 03.   Índio quer apito

Ê, ê, ê, ê, ê, Índio quer apito
Se não der, pau vai comer!
Ê, ê, ê, ê, ê, Índio quer apito
Se não der, pau vai comer!

Lá no bananal mulher de branco
Levou pra pra índio colar esquisito
Índio viu presente mais bonito
Eu não quer colar! Índio quer apito!

Ê, ê, ê, ê, ê, Índio quer apito
Se não der, pau vai comer!
Ê, ê, ê, ê, ê, Índio quer apito
Se não der, pau vai comer!

 

 04.        O Teu Cabelo Não Nega

O teu cabelo não nega, mulata
Porque és mulata na cor
Mas como a cor não pega, mulata
Mulata, eu quero o teu amor

O teu cabelo não nega, mulata
Porque és mulata na cor
Mas como a cor não pega, mulata
Mulata, eu quero o teu amor

Tens um sabor bem do Brasil
Tens a alma cor de anil
Mulata, mulatinha, meu amor
Fui nomeado teu tenente interventor

O teu cabelo não nega, mulata
Porque és mulata na cor
Mas como a cor não pega, mulata
Mulata, eu quero o teu amor

 05.        A Pipa do Vovô

A pipa do vovô não sobe mais
A pipa do vovô não sobe mais
Apesar de fazer muita força
O vovô foi passado pra trás!

A pipa do vovô não sobe mais
A pipa do vovô não sobe mais
Apesar de fazer muita força
O vovô foi passado pra trás!

Ele tentou mais uma empinadinha
A pipa não deu nenhuma subidinha
Ele tentou mais uma empinadinha
A pipa não deu nenhuma subidinha

A pipa do vovô não sobe mais
A pipa do vovô não sobe mais
Apesar de fazer muita força
O vovô foi passado pra trás!

Marchinhas disponíveis em: https://www.letras.mus.br/marchinhas-de-carnaval/